Os dez melhores filmes gnósticos analisados pelo Cinegnose em 2018

Desde 1995, com o filme “Dead Man” com Johnny Deep, a mitologia gnóstica começa a interessar roteiristas e produtores hollywoodianos, trazendo à cena da indústria do entretenimento o “Gnosticismo Pop”- Gnosticismo: conjunto de seitas sincréticas de religiões iniciatórias e escolas de conhecimento do início da Era Cristã, séculos III e IV, que apresentavam uma visão mística de Cristo.

Desde a descoberta da chamada Biblioteca de Nag Hammadi no Egito em 1945 (52 manuscritos gnósticos organizados em 13 códices encadernados em couro que reúnem uma visão bem diferente daquela descrita nos evangelhos bíblicos canônicos), sua narrativa transcendeu os estudos teológicos e históricos especializados para ocupar um submundo místico-mágico-religioso da subliteratura da cultura de massas (HQs, magazines, filmes B sci-fi, horror e fantasia), passando pela grande literatura de Philip K. Dick ou Isaac Asimov, até chegar nas mesas de produtores e roteiristas de Hollywood na fase do Gnosticismo Pop iniciada com Dead Man (1995) de Jim Jarmuch. E se consolidando com os clássicos Show de Truman e Matrix.

Dando início a mais um ano de trabalho, fizemos uma lista dos dez melhores “filmes gnósticos” que o Cinegnoseanalisou em 2018 – entre aspas, porque nem sempre são filmes com narrativas gnósticas na sua essência. Ou seja, filmes que apresentam os quatro pilares míticos do Gnosticismo: o mito do Demiurgo, o mito da Alma Decaída, o mito do Salvador, o mito do Feminino Divino. Como, por exemplo, Mãe (2017) de Darren Aronofsky – sobre esses mitos, clique aqui

Muitos dos filmes presentes nessa lista abordam simbologias alquímicas, cabalísticas e a gnose do protagonista, sem apresentar uma narrativa gnóstica completa – sobre a gnose do protagonista na narrativa cinematográfica, clique aqui

Por isso, o Cinegnose criou um conjunto de cinco categorias de filmes gnósticos que desse conta dessa variedade de abordagens: CosmoGnóstico, TecnoGnóstico, PsicoGnóstico, AstroGnóstico, CronoGnóstico– sobre essas categorias clique aqui.

É importante salientar que essa lista de dez filmes de 2018 não é composta necessariamente por filmes exibidos ou lançados naquele ano. A lista refere-se unicamente aos filmes que foram analisados pelo blog em 2018 – por exemplo, Lunar(Moon), de Duncan Jones, é de 2009.



1. “Um Ponto Zero” (“One Point Zero” Aka “Paranoia”, 2004) – Categoria: Tecnognóstico


Cisão esquizofrênica? Falha da racionalidade? Em geral o cinema figura a paranoia dentro dessas representações. Mas é nesse filme que a paranoia evolui de simples transtorno mental para uma percepção especial: se em “Matrix” o déjà-vu era uma falha na realidade codificada, em “Um Ponto Zero” essa falha chama-se “paranoia” - aproximando-se do insight do pensador gnóstico Valentim, lá no distante século II DC. 

A paranoia não só como uma “falha na racionalidade”, mas como a percepção da falha na própria sintaxe que estrutura a realidade. Um solitário programador de computador começa a receber misteriosas caixas vazias que o farão mergulhar em um universo cercado de câmeras de vigilância em um edifício residencial em ruínas, nano tecnologia, redes de computadores, e-mails infectados, um estranho vírus bio-cibernético, obscuros interesses corporativos e um estranho experimento em Neuromarketing – Clique aqui.


2. “Infinity Chamber” (2016) – Categoria: Tecnognóstico


Desde o duelo mortal entre o astronauta Dave Bowman e o computador HAL-9000 no filme “2001” de Kubrick, o cinema não havia conseguido repetir uma luta tão icônica entre a inteligência humana e a artificial. Isso até o filme “Inifinity Chamber”, no qual o homem enfrenta a nova geração da IA: os aplicativos e algoritmos capazes de aprender até o ponto em que poderiam saber mais sobre nós do que nós mesmos. 

Um homem é raptado em uma cafeteria, para acordar em uma cela high tech observado por uma câmera de teto: é o olho artificial de um computador chamado Howard. Sua função: mantê-lo vivo, para escanear suas memórias e fazê-lo repetir mentalmente em infinitas vezes o mesmo dia em que foi raptado, para tentar achar a evidência da sua ligação com um grupo terrorista. 
Um filme sobre tecnologia, sonhos e memória. Uma metáfora de como atuais aplicativos que fazem a mediação dos nossos relacionamentos são apenas pretextos para escanear nossos sonhos e pensamentos – Clique aqui.


3. “O Culto” (The Endless, 2017) – Categoria: CronoGnóstico


Uma boa ideia, com um roteiro inteligente e um elenco forte são capazes de fazer filmes convincentes, mesmo com pouco dinheiro. O filme “O Culto” é mais um filme independente que comprova a capacidade inventiva de renovar subgêneros do horror e da ficção científica. Dessa vez a dupla de diretores Justin Benson e Aaron Moorhead (“Resolution”, 2012) faz um inteligente meta-horror em torna do tema das anomalias tempo-espaço. 

Dois irmãos (interpretados pelos próprios diretores), depois de terem fugido de uma suposta seita suicida em uma floresta montanhosa, decidem retornar depois de receberem um estranho vídeo. “O Culto” não se limita a fazer uma desconstrução do tema “paradoxos temporais” no cinema. Num insight gnóstico, estende esses paradoxos para a nossa realidade cotidiana: e se nossas próprias vidas já fossem gigantescos paradoxos tempo-espaço, que nos aprisionam nesse cosmos, obrigando-nos a repetir uma mesma narrativa indefinidamente? Clique aqui.

Veja os outros filmes da lista acessando ao cinegnóse clincando aqui:

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